Um apresentador de comerciais aparece anunciando o sab?o azul, com um sorriso claro no rosto. Só se encontra aqui em Mainly Heavens!
— "Aqui você engorda o bucho e n?o emagrece o bolso! Restaurantes Kingston, uma franquia consolidada e de confian?a. Temos parceria com Memphis Donalds, Underway, Coby Cola e muitas outras marcas que marcaram suas vidas. Comida barata e de qualidade. Restaurantes Kingston, só disponível em Mainly Heavens!"
Um homem barrigudo, com um boné de caminhoneiro, um avental e segurando uma carne com um garfo, anuncia a marca, transmitindo confian?a.
— "S?o produtos de qualidade e indispensáveis para seu lindo rosto. Maquiagens Kingston, sendo os produtos que a excelentíssima senhora Kingston usa. Nossas maquiagens n?o saem com água, ficam na pele com facilidade e cobrem os poros sem deixar buracos! Temos de tudo, menos sua beleza. Maquiagens Kingston, disponível apenas em Mainly Heavens!"
Uma garota linda e jovem anuncia os cosméticos, utilizando sedu??o e beleza.
— "Materiais de c-"
— Chega… Esses comerciais s?o um saco, minha cabe?a dói. — Um homem, cansado do trabalho, desliga a televis?o e se senta na poltrona para descansar, suspirando…
Capítulo 7 — Deixai toda esperan?a, vós que entrais
Protea e o homem ainda se encaravam. O senhor caminha até atrás de sua poltrona. Em suas m?os estava o c?o que Protea tanto procurava. Ele fica parado com o animal na m?o, mas n?o diz nada. O garoto, mesmo com o medo irracional que o assolava, desceu as escadarias que levavam até o jardim.
O lugar era grande, muito grande. Havia várias plantas que formavam uma espécie de labirinto. Era possível até enxergar a árvore que íris havia cortado com a motosserra alguns dias atrás. O lugar era tenso, escuro, e só se escutavam grilos e cigarras cantando. Fora a mente de Protea, tudo estava silencioso.
Percorrendo cada metro daquela arquitetura vegetal, seus passos só afirmavam o qu?o grande era aquele jardim. Ele come?a a entender um certo caminho e come?a a segui-lo. Tudo à sua frente estava escuro, tudo era um breu. O nosso herói encontra uma cela trancada no caminho. Dentro dela, via vários cachorros furiosos; eles berravam, pareciam famintos. Ele continuou correndo, mas cada lugar para onde ia parecia fazer o jardim aumentar de tamanho. Protea viu um medalh?o jogado no ch?o, em um beco sem saída. Sem mais op??es, ele o pega.
— O que será que esse medalh?o está fazendo aqui no meio do nada? — Protea murmurava.
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No medalh?o havia uma figura demoníaca gravada, parecia ser Baphometh. Era dourado, e na parte de trás da imagem do dem?nio estava inscrito:
“Cerbero, fiera cruda e diversa,
mugghia come cane con tre gole,
sopra la gente che quivi è sommersa.”
Ele pega mesmo assim e continua percorrendo aquele jardim. Mas, quando passa de novo pela cela…
Ela estava destrancada. Aberta.
Sem nenhum cachorro dentro.
Protea pressentia algo ruim, mas n?o perdia tempo. Continuou em sua caminhada persistente até ver um port?o no centro do jardim. Estava trancado, mas havia duas aberturas com formato de medalh?es. Ele logo percebeu o que tinha que fazer. Com um objetivo em mente, parte para procurar o que faltava para sair daquele lugar bizarro.
Chega a um ponto em que vê outra cela, mas esta estava enferrujada. Havia sangue e tripas pelo ch?o e pelas grades. Aquilo o assustava muito. Sua express?o era de puro terror e nojo. O nosso herói demonstrava mais de sua face, mas seguiu em frente, mesmo com receio, medo e terror.
Ele chega a outro beco sem saída. O medalh?o estava lá. O lugar estava coberto de sangue, o medalh?o também. Este tinha uma figura messianica, parecia um anjo. E atrás da figura angelical estava inscrito:
“I' son Beatrice che ti faccio andare”
No caminho até o port?o principal, Protea já esperava o pior, mas…
Via sangue. Muito sangue pelas árvores. E come?ou a ver cachorros mortos. Alguns tinham a cabe?a explodida, outros tinham a barriga com um buraco enorme. Um tivera uma morte t?o entristecedora que o nosso herói n?o conseguia mais olhar para c?es sem pensar nesse trágico destino, t?o pesado que seria desnecessariamente gráfico contar.
No port?o, tudo estava ensanguentado.
Ele coloca os medalh?es no port?o e o abre. O garoto corre até a varanda do Juiz. Ao chegar lá, estava ele, em pé, de costas, com o c?o na m?o direita. Em cima da mesa havia uma sniper.
Havia quatro cápsulas de muni??o no ch?o.
— Devolva… DEVOLVA ELE! — Protea o indagou com ferocidade e indigna??o. Estava ofegante, seu corpo levemente inclinado para frente.
Os candelabros iluminavam levemente a sala. O vento batia nas vestes do Juiz e balan?ava o cabelo de Protea. O Juiz se vira. Seu rosto estava neutro. N?o parecia demonstrar o mínimo de empatia pelos dois.
— Deveria se preocupar consigo mesmo. — O senhor falava com frieza.
— Do que você está falando?! — Protea responde, suando e ofegante.
— Existem coisas que você só irá entender depois de muita experiência. Quando vai entender que tu nasceste condenado? — O homem falava, fazendo carinho na cabe?a do cachorro.
— Eu… n?o estou te entendendo… O que você está querendo me dizer? — Protea dizia com medo. Seu rosto congelava, sua voz quase n?o saía, sua postura tensa.
— Pobre garoto… . Deixai toda esperan?a, vós que entrais, o que acha que essa frase se trata? — Ele fala com calma, fazendo carinho no cachorro.
— Isso é Dante, mas… eu… n?o entendo. Por que está recitando poesia num momento como esse? — Protea falava. Sua voz estava trêmula, já dominada pelo medo.
— Hahahahahahahaha! Bem-vindo ao inferno. — O homem exclama, como se fosse a anuncia??o de um evento.
Sem cerim?nia, após o Juiz falar isso…
Ele quebra o pesco?o do c?o.
Protea, chocado, imóvel. O c?o… n?o havia machucado ninguém…
Ele apenas observava o c?o e o rosto sádico do Sr. Kingston. Seus olhos arregalados, sua respira??o quase inaudível, e sua mente…
Sua mente…
Parado. Imóvel. Sem rea??o… Seus olhos n?o piscavam, sua boca n?o fechava. Lágrimas caíam em silêncio.
O homem jogou a carca?a do c?o morto no ch?o. Ele pega na m?o de Protea e fala:
— Seja bem-vindo à família, Protea.

