Numa noite que n?o se ousa ser sombria o suficiente para se comparar com os acontecimentos desse dia, vê-se um homem sentado numa poltrona extremamente confortável, o mesmo estava numa sala com uma varanda que havia vista para o t?o nefasto jardim da Mans?o maldita, o sujeito exalava confian?a, ele pega o celular com calma e faz uma liga??o.
— Boa noite, o que deseja, senhor Kingston?
— uma voz formal e profissional falava, com certo tom de inferioridade.
— Quero lhe pedir o kit que encomendei para o safári de anos atrás.
— o homem diz com as pernas cruzadas e completamente relaxado.
A pessoa atrás do celular recorda do homem e, logo em seguida, o responde com veemência:
— Ah, ent?o é o senhor! é um prazer fazer negócio com vossa excelência novamente, o seu kit já está a caminho, Sr. Kingston.
Capítulo 6 – O Juiz
O Juiz n?o dan?a aqui
O Juiz é a dan?a
O Juiz é o demiurgo
O Juiz sente
Vive
Mas n?o morre…
ó Juiz nefasto
Sua linhagem t?o obscura te dá renome
Um Deus n?o aceita o contrário
Fazes algo t?o grande que te consome
A carne manda na cidade
A vida em si é a própria carne
ó Juiz, mostre seu poder e fa?a-se cumprir a verdade
Julgue com intensidade
A nossa dor.
íris já havia entrado dentro da mans?o, o ar frio e torturante congelava a alma de nosso herói, o mesmo pensava que nunca mais viria para aquele local, o garoto respira fundo, olha a paisagem paradisíaca do inferno, um lugar t?o grande que seus meros passos parecem uma afronta à arquitetura, o menino invade a casa, em busca daquele que n?o merece sofrer, daquele que nunca pediu para sofrer.
Infelizmente, n?o avistava a garota, mas com intui??o ele explorava a constru??o, o primeiro lugar foi o sal?o principal, o piso, a escada, o teto, a luminária, os rústicos candelabros, tudo era t?o perfeito e impecável, Protea se assustava com tamanho luxo, mas ao mesmo tempo o silêncio perturbador o deixava… Sem ter nenhuma pista, o nosso pequeno apenas segue em frente, o segundo lugar era um corredor, ele n?o sabia dizer, mas aquele… “espa?o” era silenciosamente perturbador, parecia que já tivessem acontecido coisas que o próprio dem?nio teria medo de presenciar, ele n?o tinha provas, apenas sua pura intui??o, a claustrofobia que assolava aquele acolchoado de duas paredes lineares e portas que pareciam mais escolhas que decidiam o seu destino, ele abria a porta à frente.
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Com as m?os tremendo, a janela da alma perigosamente exposta, ele explora o c?modo, cada coisa, cada móvel parecia que n?o de uma pessoa, e sim de um rob?… desde a cama perfeitamente arrumada ao ch?o que n?o demonstrava uma rachadura. Ao abrir o guarda-roupa, ele via camisas básicas, uma delas, uma camisa de manga que parecia de regata de miosótis, embaixo daquelas roupas dobradas e bem passadas, ele… pegou um papel, era um desenho de um garoto, uma garota quase de seu tamanho e uma crian?a pequena, n?o dava para perceber o gênero daquela crian?a, atrás da folha de papel estava escrito:
“Com o sonho de que um dia nossas vidas amaldi?oadas tenham sua livre e espontanea esperan?a, meus passos s?o acorrentados e restringidos para que os seus n?o sejam, n?o ligo de perder minha liberdade para que vocês tenham, essa é a minha tempestade calma e serena, porém poderosa…”
Protea pegava a folha e mesmo sem saber a ortografia, ele nitidamente ficou mais calmo, pois lembrou de uma pessoa que condizia com esse manuscrito. Com enorme respeito, ele pega a folha, a dobra e coloca em seu bolso.
Logo em seguida, o nosso pequeno príncipe passa por lugares t?o cotidianos, mas t?o perturbadores, que o mesmo imaginava que uma arquitetura inanimada poderia invocar tal sensa??o t?o ínfima dentro de teu corpo, parecia que tudo era projetado para que ele sentisse esse sentimento. Passou por um banheiro todo branco, tinha objetos de prazer sexual nele, o boxe estava aberto e o chuveiro pingava, parecia que alguém estava o chamando para algo que ele com certeza n?o quer participar, ele passou por uma cozinha, as facas e talheres eram posicionados em fileira, como se fosse um abatedouro, havia carne descongelada em cima da mesa, era frango, saía hemoglobina do corpo do animal morto, n?o cheirava a podre, mas de alguma forma Protea sentia uma vontade quase instintiva de vomitar.
Rapidamente, ele foi embora do c?modo.
Ao fim do corredor vinha uma corrente de ar fresco vinda da direita, ele virava sua cabe?a e via uma varanda, tinha uma escada que o levava para o jardim, Protea prestes a descer, o céu em tom monótono parecia julgá-lo, uma sensa??o, n?o, uma amea?a o assolava fortemente, o nosso herói suava frio, tremia com medo de algo que ele n?o sabia o que era, mas ao virar-se ele via… atrás de outra varanda, um homem…
Ele sorria
Os dentes abriam
O rosto n?o mentia
Algo que nem os piores sabiam
O Juiz o julgava de longe
Seu rosto era paralisante
Seu sorriso, excruciante
Mesmo que estivesse distante.
O nosso herói estava mostrando uma face que ele nem sabia que tinha, uma face que exalava terror, parecia que algo ruim estava por vir.

