Havia um lugar branco.
Havia pessoas lá.
Lá havia encanto.
Todos, silenciosamente, perguntavam o que fariam.
Todos nas cadeiras se levantam.
Tiram suas máscaras.
Dentro de suas cabe?as, todos cantam.
E nos olhos de cada um havia lágrimas.
Pois atrás das máscaras,
todos eram iguais.
Capítulo 11 - O Herói de uma única Face
— Tea, você tá bem mesmo?
— Eu t? sim. Minha dor de cabe?a estava bem pior antes que o papai deu um jeito nela.
— é porque você fica com essa m?o no olho toda hora.
— Sério? Deve ter virado TOC.
íris e Protea descem do carro e v?o em dire??o à sala de aula. A cada passo, a consciência de Protea parecia pesar mais. Postura corcunda. Olheiras imensas. Cabelo bagun?ado. Lábios ressecados.
No centro do pátio, ele para.
Tudo fica cinza ao redor.
Ele tapa o olho com a m?o.
A cena o mostra de frente: um garoto moreno, cabelos brancos longos e lisos, espalhados pelo vento, olhos levemente azuis.
Tudo estava cinza.
Menos ele.
— Protea, o que você tá fazendo!?
— Ah… eu preciso ir ao banheiro. Pode ir na frente, íris. Eu te vejo na sala.
Ele se vira e caminha para trás.
O rosto de íris aparece. Dentes rangendo. M?os apertadas, quase como se fosse socar alguém.
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Ela se vira e segue para a sala.
O fundo continua cinza. Protea e íris coloridos, indo em dire??es opostas.
Protea caminha lentamente até a sala do 3o ano.
Para.
“O que eu t? fazendo aqui?”
Instintivamente, vai para o galp?o.
Senta.
Silêncio.
Lento.
Pesado.
Ele tira a m?o do olho. Fica um bom tempo calado. Ent?o murmura:
— Por que eu n?o aceito logo que eu n?o sou eu? Eu n?o tenho mais alma… eu n?o estou mais vivo… Olha pra mim. Quem sou eu? Mesmo sem ser eu, eu n?o ligo! Eu n?o sou Protea, e n?o quero deixar de ser eu! E se Protea voltar? O que acontece comigo? O QUE EU ME TORNO!?
— Você n?o se torna… você já é.
Uma voz ecoa no fundo do galp?o.
— Quem é você!?
— Eu sou alguém que você conhece, mesmo sem conhecer.
— Ha! Deve ser amigo do Protea. Ent?o saiba que n?o é meu amigo!
— N?o entende?
— O que eu n?o entendo, espertalh?o?
— N?o entende que você também é Protea.
Silêncio.
Ele olha para as próprias m?os.
Uma Flor-do-A?úcar surge sobre elas.
— Como você sabe tanto sobre mim?
— Nós somos iguais.
O mundo volta a ficar branco.
Só ele.
E a flor.
Atrás dele, aparece…
Ele mesmo.
— Você gosta da íris?
— E-Eu gosto dela sim. Ela é minha irm?.
— Acho bonita essa sua rela??o com ela. Acho que eu também gosto da íris… hahaha.
— Como você pode gostar se nem conhece ela, seu palerma?
— Ei, calma aí, amig?o. Se eu sou um palerma, você também é.
— Nós somos completamente diferentes!
— N?o. Nós somos completamente iguais. Olhe para a flor.
Ele olha.
Um vento forte bate em seus cabelos brancos espalhados.
A flor come?a a voar.
Uma pétala toca seus olhos.
Escurid?o.
Quando ele vê novamente, está diante de um Jardim Rosa, inteiro feito de Flores-de-A?úcar.
O céu agora é azul.
Lindo.
Como uma pintura.
Coberto de pétalas, Protea n?o resiste.
Ele chora.
Muito.
Tenta enxugar as lágrimas.
Mas só vêm mais.
Até que, enfim, ele sussurra:
— Ent?o era disso que vo-
Quando se vira, o outro já desapareceu.
— Eu entendi.
Protea jogado num beco, com um jornal sobre o corpo.
— Todas as faces.
Protea, acorrentado, roupa rasgada e suja.
— Na verdade…
Protea de roupa social, m?o no olho.
— S?o eu.
Tudo volta ao normal.
O jardim desaparece.
O cenário é o mesmo.
Mas algo mudou.
E n?o foi o cenário.
Protea olha ao redor. Está sozinho no galp?o.
Pega o papel que havia lido ontem.
A carta de Miosótis.
Ele sai com uma express?o diferente.
A boca ressecada já n?o reflete descuido ou preocupa??o.
Reflete decis?o.
Ele volta para a sala do 3o ano.
Para na frente da porta.
Todos estranham.
Alguém se aproxima.
— Sua Janela da Alma… é você de novo, Protea…
— N?o, mano. Sempre fui eu. Eu sempre estive aqui.
Os olhos dele estavam claros.
Como um céu azul.
Como um Jardim Rosa.
Mio tenta segurar o choro.
Mas o abra?a com for?a.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
Ele chora como uma tempestade.
E as lágrimas caem.
Quem é você
No final de tudo?
és uma resposta sem um porquê.
Ao final de tudo,
tudo ainda é você.

