— Parado, fique bem parado. — Uma voz desconhecida falava, segurando uma agulha. Tudo ao fundo era cinza, igual a um mundo sem memória.
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Capítulo 9 — Lúcifer
— Eu n?o consigo acreditar no que eu t? vendo, cabe?a de lixo... Com a princesa de Mainly Heavens!? — Glocke dizia encurralando Protea com Marin e dois outros garotos.
— Quem é você?
— Ah, n?o tem nada melhor do que importunar os fracos, mas pelo que parece... Você tá bem acompanhado.
— N?o preciso de sua aprova??o, sai da minha frente, tá me atrapalhando.
— Como é!? — Glocke fala com a veia da testa saltando e mordendo os lábios.
— Vamos íris. — Protea diz com a cabe?a virada e um olhar frio.
— Como ousa seu... Eu tava esperando muito pra te espancar igual seu papaizinho morto, hahahahahaha!
— Meu pai tá vivo, e bem.
—Vai dar uma de maluco agora seu saco de estrume!?
— Se você tocar nele ou falar mais uma palavra, você some. — Diz íris no ouvido de Glocke
O garoto congela.
— Vamos embora garotas. — Ele vai embora, sem falar uma palavra.
— O que foi isso? — Diz íris preocupada.
— Sei lá, deve ser um idiota qualquer.
— Ah e tem outra coisa. — Diz íris entregando o sanduíche para ele.
— Tea, o que você sentiu quando viu eles olhando pra gente? — Fala íris, comendo um sanduíche.
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— N?o senti muita coisa. Diria que até achei normal. — Protea falava, mastigando também um sanduíche, com os olhos voltados para frente, e seus movimentos pareciam precisos.
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— Nada!? Nossos irm?os perdidos estavam olhando pra gente como se fossem psicopatas e você n?o sente nada? — íris exclama após engolir um peda?o. Ela falava inclinando a cabe?a para frente, olhando para Protea e franzindo a testa.
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— Ah, o que foi, hein? Que que tem? Eles n?o s?o parte da família mesmo, t? nem aí. — Dizia Protea, também franzindo a testa e olhando para os olhos de íris.
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— Nossa, Tea, como você é insensível! — Ela falava, endireitando sua postura e com a bochecha cheia.
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— Iiih, fica quieta aí, vai. — Ele fala, enfiando o sanduíche na boca dela.
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— Mas você… — Ela mastiga.
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— Vamos deixar isso pra lá, esse assunto é chato. — Ele diz, com uma express?o fria.
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Anjo caído, mostre tua face
Fria, nua e crua
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Tanta indiferen?a, tanta maldade
Rouba a cena que já é tua
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Luta e segura tocando violino
Preso sozinho na próxima porta
Vive sozinho em seu destino
Uma luz vívida como prosa
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Numa rua escura predomina
Com uma adaga demonstra esgrima
Corta a pele duma dama
Quando a olha vê a sua própria vida
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Moldado como filho de Deus
Rebelado como o próprio diabo
Tornando-se um nojento renegado
Sua vida é mais do que apenas ser nefasto
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Protea estava sozinho no depósito da escola, sentado, apenas refletindo algo sobre a vida. Seus olhos pareciam caídos, seu rosto abatido, e seu corpo permanecia parado e imóvel. O angulo muda. Protea estava de lado, com a luz da janela, localizada na parte de cima, cobrindo o redor do seu corpo sentado sobre um colch?o.
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Ele suspira.
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Olha para sua m?o e lentamente toca em seu rosto.
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— Vai ser rápido, n?o reaja. — Ele ouve essa voz, mas n?o consegue criar nenhuma imagem sobre isso.
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Ele tira sua m?o do rosto com calma.
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Ele suspira novamente.
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E se joga no colch?o.
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Fechando seus olhos…
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Ele olha em volta, e está tudo branco, tudo silencioso. Protea estava no meio de um vazio todo branco. Ele apenas se manteve parado, como se aquilo fosse normal, e parado ele permaneceu. Ele até resolve sentar. Até que tudo fica escuro, e ele continua no mesmo lugar. Ele vê uma figura distante. Parecia um homem com vestes rasgadas. O garoto levantava e se aproximava. Ele come?a a acelerar os passos para chegar até o homem, mas ele havia sumido. E, de pouco em pouco, o vazio estava se tornando um céu pintado à m?o, como num quadro. Protea come?a a flutuar, vendo o homem na parte de cima. Ele tenta o alcan?ar, e o homem estende a m?o, mas quando ele chega perto, ele acorda.
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— Você… Quem é você? — Ele come?a a colocar a m?o na testa e a suar frio.
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Ele levanta e sai da escola, indo direto para casa. Passando por uma rua, ele vê várias comunidades de moradores de rua, até que alguém o chama.
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— Protea, sou eu, Eliam, aqui!
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— Quem? — Protea, com a m?o na cabe?a e postura corcunda, olha para o lado perguntando.
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Ele vê um homem velho, barbudo e careca. Ele estava com roupas rasgadas e um len?ol embaixo. Protea vai em dire??o àquele homem.
— Quem é você? Como sabe meu nome? — Protea pergunta, com a testa franzida e os olhos instigados.
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— Vejo que n?o se lembra de mim… Meu rapaz… O que aconteceu com você? — O velho responde com a voz calma e rouca.
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— Do que você tá falando, velhinho? — Protea pergunta com a m?o na cabe?a.
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— A sua janela da alma está vazia, meu garoto. Logo você, que tinha tanto ardor em sua alma. Lamento muito. — O velho falava, fechando os olhos com a cabe?a para baixo.
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— Janela de quê!? — Protea pergunta, agora com as duas m?os na cabe?a.
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Ele se direciona para longe, andando até a mans?o. Ao fundo, comerciais de produtos da marca Kingston. A ladeira até o local parecia infinita. Quanto mais ele andava, mais parecia longe.
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— Vai ser rápido, n?o reaja. — Ele rapidamente ouve.
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— Tsc, o que que tá acontecendo!? — Protea murmura com a m?o co?ando a cabe?a.
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Ele consegue chegar até a casa e passa pelo corredor. Andando pelo corredor, cambaleando, ele chega até o escritório de Lance.
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— Filho, n?o deveria estar na aula? — Lance pergunta, virado de costas, organizando uns livros.
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— Pai, preciso de ajuda. Minha cabe?a está doendo daquele jeito de novo. — Protea fala com a m?o sobre o rosto, cabe?a projetada para baixo e postura completamente instável.
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Um silêncio pairava naquela sala. Apenas se ouvia o som da luminária balan?ando e o cheiro de livros velhos e empoeirados. Lance se virava para frente, e a cena mostra os dois: Protea perto da porta, quase caindo de dor de cabe?a, com a m?o sobre os olhos, cobrindo parte do cabelo; e Lance o olhando, com a postura ereta, de terno e gravata. A luz da grande janela lateral do escritório iluminava os dois.
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— Entendi. — Lance fala, colocando um livro na prateleira e, andando na dire??o de Protea, ele diz:
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— Fique parado, n?o reaja.

