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9. O eco e o caçador

  Shade acordou com o vidro respirando sob suas costas.

  N?o foi um despertar súbito. Foi uma retomada lenta de sensa??o, como se o mundo devolvesse seus sentidos em parcelas calculadas.

  Calor.

  Depois peso.

  Depois dor.

  O pulso continuava.

  N?o t?o violento quanto antes. Mais… contido.

  Ela virou o rosto. O ch?o estava opaco naquela regi?o, como se o vidro tivesse sido for?ado a se reorganizar. Havia marcas alongadas, trajetórias térmicas que n?o combinavam com o caos do resto do terreno.

  — “Você n?o devia estar viva.”

  A voz veio da direita.

  Grave. Controlada. Sem surpresa exagerada.

  Shade tentou se erguer. O corpo respondeu com atraso.

  Algo estava a alguns metros, parado numa zona onde o calor parecia obedecer. N?o havia armadura no sentido comum. As placas vitrificadas e resíduos metálicos n?o o revestiam, faziam parte dele, como se algo que um dia fora equipamento tivesse sido for?ado a continuar existindo dentro do fogo.

  No centro da massa ígnea, dois focos dourados mantinham forma.

  — “Levanta devagar.”

  A voz surgiu como vibra??o no ar aquecido.

  — “O pulso n?o gosta de movimentos errados.”

  Shade obedeceu.

  Quando ficou de pé, sentiu o símbolo sob seus pés reagir outra vez.

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  ? TRA?O VITAL EM REAVALIA??O ?

  A criatura inclinou levemente a massa de fogo.

  — “Isso n?o é bom.”

  — O que é isso?

  — “Um mundo que n?o esquece.”

  O foco dourado se deslocou até o ch?o.

  — “E você fez ele prestar aten??o.”

  A criatura deu um passo à frente. O vidro n?o ondulou.

  Depois outro.

  Nada.

  Shade percebeu ent?o: n?o era resistência. Era compatibilidade.

  — O que é você?

  — “Hm… soldado do Conselho das Dez Luzes.”

  O pulso mudou.

  Dessa vez, o ch?o respondeu aos dois.

  ? DUPLA PRESEN?A REGISTRADA ?

  ANOMALIA N?O ISOLADA

  Dentro do fogo, algo estalou, um som seco, contido.

  — “ótimo. Agora somos um problema conjunto.”

  A criatura se virou, observando o horizonte de vidro como quem lê trilhas invisíveis.

  — “Se ficarmos parados, ele recalcula.”

  Uma breve pausa.

  — “E quando recalcula, geralmente dói.”

  — Você está sendo ca?ado?

  — “Eu?”

  Um deslocamento mínimo do calor, quase um riso sem humor.

  — “Gra?as a você. A quest?o é por quanto tempo.”

  Shade hesitou.

  — Você… sobreviveu aqui antes.

  N?o era uma pergunta.

  O fogo permaneceu estável por alguns segundos.

  — “Se n?o tivesse, você n?o estaria falando comigo.”

  Nada mais.

  O calor come?ou a se concentrar em bols?es irregulares ao redor deles. N?o ataques. Ensaios.

  — “Se quiser continuar respirando, anda comigo.”

  — Por quê?

  A criatura já se movia quando respondeu:

  — “Porque você n?o pertence.”

  Um pulso mais intenso percorreu o vidro.

  — “E isso chama aten??o demais.”

  Shade seguiu.

  O símbolo sob seus pés se alongou, tentando acompanhar.

  ? ECO EM DESLOCAMENTO ?

  Um dos focos dourados baixou por um instante.

  — “Ent?o é assim que ele te chama.”

  — Como?

  — “Eco.”

  Eles caminharam em silêncio por alguns metros, desviando de zonas onde o vidro come?ava a vibrar de forma errada. Em alguns pontos, vapor subia em espirais finas. A criatura evitava esses lugares com cuidado quase instintivo.

  — Posso te chamar de ca?ador ou o tal "soldado"?

  O fogo se condensou levemente.

  — “Kairn, me chama de Kairn.”

  O pulso atrás deles se intensificou.

  ? PRIORIDADE DE CONTEN??O ?

  Kairn acelerou o deslocamento.

  — “Depois a gente conversa.”

  O calor ao redor deles subiu.

  — “Agora, a gente corre.”

  O vidro respondeu.

  E dessa vez, n?o era um teste.

  Fim do capítulo 9

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