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Capítulo 2: Escravidão²

  Micah congelou por um momento. O tempo parecia ter parado, como se o próprio ar ao seu redor tivesse se tornado espesso, impenetrável. O som do vento sumiu, o farfalhar das folhas cessou, e até o pulsar apressado do seu cora??o parecia abafado dentro do peito.

  Mas quando sua mente travou, seu corpo agiu.

  Num ímpeto primitivo, ele girou nos calcanhares e disparou entre as árvores tortuosas. Os troncos negros e os galhos curvados estendiam-se como garras para agarrá-lo, sombras se enroscando à sua volta, e cada passo parecia um desafio às leis da própria física. O solo era fofo, trai?oeiro, coberto de folhas úmidas e raízes expostas como artérias rompidas da floresta.

  Seu sedentarismo, acumulado em anos de vida urbana, cobrava seu pre?o cruel. Seus pulm?es ardiam, sua vis?o tremulava nas bordas. Cada respira??o era como puxar vidro quebrado para dentro dos pulm?es. N?o tinha f?lego. N?o tinha preparo. N?o tinha nem mesmo esperan?a de escapar correndo daquele lugar — mas corria mesmo assim, porque o medo era a única for?a mais antiga que a própria raz?o.

  Micah sentia o suor escorrer em rios pelas costas, misturando-se ao pó e aos arranh?es que se acumulavam nos bra?os e nas pernas. Ele se for?ava a n?o olhar para trás, a n?o dar espa?o para a dúvida — apenas correr, correr como um rato em uma casa pegando fogo.

  Seu pressentimento, aquele peso horrível no fundo da barriga, gritou mais alto.

  Quando seus olhos come?aram a perceber uma clareira estreita mais à frente, a esperan?a traiu seu foco. Seus pés, já vacilantes, n?o viram a armadilha natural à sua frente: um galho grosso, coberto de musgo, curvado como a língua de alguma besta invisível.

  O mundo girou.

  Seu pé deslizou, a gravidade puxou seu corpo com violência, e em um instante ele sentiu o ch?o fugir debaixo de si. A sensa??o da queda foi curta, mas brutal — um estalo seco ecoou quando seu ombro bateu contra a raiz de uma árvore, e a dor explodiu em espasmos cegantes.

  Ele caiu de lado, rolando uma, duas vezes, até parar de barriga para baixo, a boca cheia de terra e folhas.

  O mundo continuava em silêncio.

  Mas agora n?o era o silêncio de antes. Era um silêncio que sussurrava perigo muito próximo, como uma respira??o no escuro.

  Micah tentou se levantar, mas seus bra?os tremiam como varetas molhadas. Cada fibra do seu corpo parecia implorar para desistir — para simplesmente deitar ali e esperar o fim. Mas ele sabia que isso era um luxo que n?o lhe seria concedido.

  N?o teve nem tempo de reagir.

  M?os ásperas e fortes o viraram de uma vez e o agarraram pelo colarinho, erguendo-o do solo como se ele fosse um boneco de pano. Micah mal conseguiu ver o vulto diante de si antes de sentir o impacto.

  O golpe veio rápido — uma manopla de ferro, fria e impiedosa, acertando em cheio o lado do seu rosto. A dor n?o foi apenas física; foi como se sua cabe?a explodisse em luz branca e um zumbido ensurdecedor.

  Micah já havia entrado em algumas brigas de rua, sim, e pensava conhecer a dor de um soco. Mas aquilo... aquilo era diferente. Era como ser atropelado por uma parede em movimento. Seu corpo inteiro cambaleou no ar antes de ser jogado de volta ao ch?o com um baque surdo, e por um momento, ele nem soube dizer se ainda tinha dentes na boca ou n?o. Tudo girava. O gosto metálico do sangue invadiu sua língua. E mesmo assim, instintivamente, seus bra?os tentaram protegê-lo, como se seu corpo, teimoso, ainda insistisse em sobreviver. Tentou se levantar novamente, sua cabe?a tinia como nunca, e sua vis?o estava t?o turva que a silhueta de seu agressor, que se aproximava sem pressa, era indistinguível à de uma árvore próxima.

  — Seu ruivo de merda. Você realmente pensou que conseguiria fugir?! Com um corpinho fracote desses?! Ha! — Zombou o soldado, sua express?o comunicava ódio, mas claramente sentia prazer em espancá-lo.

  — Espera! Por favor– — E foi exatamente esse prazer que ele procurava, chutou o ruivo no est?mago antes que sequer pudesse terminar a frase.

  Micah caiu de joelhos, abra?ando sua barriga enquanto tinha dificuldade de respirar. Seu tempo de rea??o era péssimo, levou um chute na cabe?a antes mesmo de processar a dor do soco anterior. Caiu de lado, numa tentativa medíocre de se proteger, ficou em posi??o fetal, cobrindo sua barriga com os joelhos enquanto baixava sua cabe?a entre os bra?os. Recebeu chutes após chutes, nas pernas, na barriga, nos bra?os, n?o importava para o homem contanto que ele causasse dor, um sorriso psicótico se estendia na face soldado. Micah n?o tinha a menor chance contra alguém treinado e t?o mais forte que ele.

  — é isso que vocês merecem! Saqueadores, assassinos imundos! N?o passam de animais selvagens! é isso… que… vocês… merecem!

  Ele tentou falar, mas cada impacto violentamente tirava ar dos seus pulm?es. Os chutes eram como trov?es explodindo contra sua carne, reverberando pelo corpo como ondas de dor crua e nua. A dor n?o vinha apenas do impacto, mas do peso acumulado: cada golpe esculpia um hematoma fresco, como se seu corpo estivesse sendo moldado à for?a, quebrado e remodelado sob o ritmo cruel das botas de couro.

  Um chute na canela queimava como ferro quente, enquanto outro no est?mago parecia espremer sua alma para fora, deixando uma náusea insuportável que se misturava com a vertigem. Se tivesse jantado ontem à noite, teria vomitado ali mesmo.

  Quando um chute veio a sua cabe?a mal protegida, o mundo ao redor se apagou em um flash e uma escurid?o momentanea, sua mandíbula estalou e seu cranio vibrou como um sino rachado.

  “Ent?o é assim que eu vou morrer…?”, pensou em meio aos golpes.

  Ele tinha certeza de seu fim, sob as solas de outro alguém— qu?o apropriado para ele.

  N?o obstante de seus pensamentos, os chutes pararam abruptamente.

  Ele ouviu uma voz, distante, lutando para manter a consciência em meio a dor infernal:

  “Você perdeu a cabe?a?! O Grünermais deixou ordens claras para n?o matar nenhum escravo, por acaso você esqueceu oque…”, e Micah desmaiou.

  …

  Eu andava em um corredor, o ar ali dentro era denso, pesado. Respirar parecia exigir esfor?o, como se algo invisível estivesse agarrando meus pulm?es. A textura das paredes — descascadas, revelando o reboco, mas estranhamente familiares— capturavam meu olhar a cada passo, aquele teto… As telhas de fibrocimento eram baixas, me causavam claustrofobia, mesmo sendo um lugar que outrora fora t?o confortável. Eu conhecia esse lugar t?o bem quanto minha própria casa.

  Me pegava encarando pequenos detalhes sem sentido, tentando evitar o que estava no fim daquele corredor que já passei tantas vezes. O silêncio perfurava meus tímpanos, quanto mais perto eu chegava daquela maldita porta, quanto mais eu andava, mais ela se distanciava, minha ansiedade me consumindo de dentro pra fora, enquanto eu me perguntava:

  Por que eu voltei para esse lugar?

  …

  Micah acordou gritando, sua camisa encharcada de suor e seu cora??o parecendo que ia explodir. Os outros escravos se alarmaram com a explos?o repentina dele e reclamaram, antes de voltarem a dormir.

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  “Esse sonho infernal de novo… Espera, onde estou?”, murmurou pra si mesmo.

  Era tarde da noite e Micah parecia estar em algum tipo de celeiro reaproveitado, deitado sob um monte de palha, como todos os outros que estavam ali. Tinha um menino deitado de bru?os à alguns metros dele, vendo suas feridas e bandagens improvisadas— feitas de tiras de roupa rasgada — ele logo reconheceu o menino de m?os deformadas, mas além dele, n?o conseguia identificar qualquer outra pessoa por conta de escurid?o.

  Ao tentar levantar foi imediatamente tomado por uma queima??o intensa por todo corpo, caindo de volta na palha, ele tinha se esquecido de seus ferimentos, mas os hematomas definitivamente n?o se esqueceram dele. Sem conseguir ficar de pé, Micah acordou a crian?a:

  — Psiu, ei, moleque. Psiu. — Sussurrou Micah.

  — Hm…? Oque foi? — Respondeu enquanto bocejava, ele aparentava ter por volta de onze ou doze anos de idade.

  — Onde estamos?

  — Num celeiro… olha, eu t? com sono… Da pra deixar eu dormir? — Sussurrou de volta enquanto co?ava os olhos sonolentos.

  — N?o, quero dizer o local, a cidade, onde estamos?

  — Em Luther, nos subúrbios eu acho. N?o sei a cidade ao certo. Posso dormir agora?

  — Luther? Onde fica isso?

  — Ao sul da Floresta Torta, no nordeste do Plano Cerrado, todo mundo sabe onde fica Luther. — Ele franziu o cenho — Por acaso você mora debaixo de uma pedra?–

  — CALEM A BOCA, NóS QUEREMOS DORMIR, PORRA! — Gritou um homem do outro do celeiro, alarmando ambos.

  Confuso, sonolento e sem poder contrair um músculo isento da dor, Micah resolveu voltar ao seu sono. Onde quer que ele esteja, ou a raz?o de estar ali, certamente n?o seriam assuntos que ele descobriria agora.

  …

  Micah foi acordado bruscamente pelo som da porta rangendo, os raios de sol o cegando por um momento. Antes que pudesse sequer obter a vis?o de volta, foi brutalmente pego pelos bra?os e teve suas m?os presas por algemas de ferro enferrujadas. Logo após foi levantado a for?a, causando uma dor infernal por todo o seu corpo, devido aos ferimentos avermelhados que se estendiam por quase todo seu corpo.

  Deu um grito breve pela tortura repentina, seus músculos chutados pulsando em uma reclama??o contínua.

  — AI! O que está acontecendo?! me solta! — Ele n?o foi dado um momento de fala sequer antes de ser socado no rosto, desta vez por m?os nuas.

  Assim que sua vis?o voltou, Micah viu seu agressor. Diferente dos soldados, este homem n?o usava armadura — apenas uma túnica preta e um chapéu de palha desgastado pelo sol. No cinto, um fac?o sujo de terra. Na m?o, um chicote enrolado, pronto para ser usado de novo.

  Nenhum soldado podia ser visto nos arredores, nem mesmo o homem loiro de túnica prateada.

  — Você n?o entendeu ainda, kaleorino? Você é um escravo agora, sua vida acabou! Espernear n?o te levará à lugar algum. — Declarou com frieza o agricultor, mas certamente com menos ódio que o soldado anterior.

  — O que? Como assim “kaleorino"?! Por favor, me solte, o que quer que isto seja, n?o sou um deles! N?o tenho nada a ver com isso— Seu apelo desesperado foi interrompido por um sussurro amea?ador do fazendeiro, que olhou no fundo dos seus olhos.

  — Se der mais um piu, eu termino o trabalho do seu dono anterior, você entendeu? — Micah foi imediatamente silenciado por ele.

  Os ruivos foram divididos em dois grupos, os que ficariam no celeiro, e os que seriam mandados à cidade, Edel-Füllhorn. O menino que ele conheceu na caravana ficaria na fazenda, enquanto ele iria à Füllhorn, onde provavelmente seria vendido como m?o de obra escrava.

  Micah estava prestes a ser levado quando olhou para o garoto de novo. Ele n?o sabia por que estava fazendo isso. Talvez fosse raiva. Talvez fosse só frustra??o pelo absurdo daquela situa??o. Talvez ele só quisesse descontar sua própria fraqueza em algo.

  Ele virou para o escravagista mais velho e soltou, com um tom ácido, quase debochado:

  — Esse moleque já tá morto. Tá vendo as bandagens? Tá fedendo a infec??o. Se ele morre e o corpo apodrece aqui, isso pode espalhar doen?as… n?o sei, talvez até chegar nos estoques de comida. Mas que eu sei? Sou só um escravo qualquer, o senhor deve saber melhor.

  O velho parou por um instante, olhos semicerrados, considerando as palavras de Micah. Ent?o resmungou algo e lan?ou um olhar para um dos capatazes.

  — Joguem ele num barraco separado. Se viver, vive. Se morrer, usem de adubo. — Olhou de volta à Micah, seu tom tornando-se ríspido — E você, nunca mais fale nesse tom comigo, moleque, ou vai pagar mais caro do que imagina.

  Micah n?o respondeu, apenas desviou o olhar. N?o havia heroísmo ali. N?o havia nobreza. Ele nem sabia como isso ajudaria o garoto que estava numa situa??o t?o deplorável, ele apenas fez sem pensar, talvez fosse uma tentativa de amenizar o peso em seu peito ao perceber que n?o poderia fazer nada relevante, incapacitado por sua fraqueza. Apenas mais uma a??o irrelevante e irracional.

  Mas, quando foi puxado de volta para a fila, o garoto o olhou.

  N?o agradeceu. N?o sorriu.

  Mas olhou, e reconheceu a existência de Micah.

  Assim que o grupo saiu do celeiro e seus olhos se ajustaram à luz do dia, Micah foi tomado por um silêncio brutal. à sua frente estendia-se uma vasta planície dourada, onde a grama alta e seca oscilava suavemente ao toque do vento — como uma respira??o imóvel, parada no tempo.

  Ent?o, ele levantou o olhar.

  E seu mundo quebrou.

  Seu sangue gelou de forma t?o imediata que parecia ter sido substituído por vidro moído. Todos os pelos do corpo se eri?aram como farpas. Ele piscou — uma, duas, três vezes. Esfregou os olhos com os punhos. Contou os dedos da m?o. Tentou respirar.

  Mas o que pairava lá em cima… n?o devia existir.

  O céu, esticado como um manto de ceramica azul inquebrável, era interrompido por um anel colossal, t?o enorme que mal podia-se ver onde suas pontas se encontravam, suspenso sobre o mundo — como a auréola estilha?ada de um anjo morto, ou o cadáver de uma coroa celestial caída em desgra?a.

  Formado por fragmentos de variados tamanhos de pedra e luz espectral, o anel girava com uma lentid?o que parecia zombar do tempo.

  N?o era apenas belo.

  Era grotescamente sagrado.

  Como um altar flutuante para um deus que ninguém mais se atrevia a nomear.

  E ent?o, Micah sentiu.

  N?o apenas viu — sentiu.

  Como uma m?o invisível e gelada apertando seu est?mago.

  Como o cheiro do quarto de uma avó que morreu dormindo.

  Como o zumbido das luzes fluorescentes que dominam os corredores de um hospital vazio.

  Era uma sensa??o impossível de nomear, mas ao mesmo tempo t?o familiar que seu cora??o tentou parar.

  E por um instante…

  Por apenas um instante…

  Ele me olhou de volta.

  N?o — ele me viu.

  Um estremecimento percorreu o ar, como se o próprio firmamento se irritasse com o acontecimento.

  Como...?

  COMO OUSA erguer esses globos miseráveis para mim?!

  Uma lasca de carne, ossos frágeis, um fraco entre os fracos… encarando EU, o dono deste mundo?!

  Eu poderia esmagar cada lembran?a sua e reescrevê-la à minha vontade.

  Chama-lo de ameba seria um insulto aos organismos deste mundo, mas... ainda assim... tem essa AUDáCIA?!

  Micah cambaleou para trás, os batimentos descompassados como tambores quebrados. Seus dedos se crispavam, sem saber se buscavam prote??o… ou confiss?o.

  N?o, estrume… N?o vou permitir que desvie os olhos.

  Já que ousa olhar para mim, verá tudo.

  Ele sentiu o mundo ceder. Ao pisar em falso, trope?ou… e a paisagem se desfez como tinta lavada pela chuva.

  O ch?o sumiu.

  O céu sumiu.

  O mundo virou água.

  O cheiro da lama subiu de forma nauseante.

  O gosto metálico de sangue se espalhou como ferrugem na língua.

  Os bra?os, n?o seus, mas de um boneco frágil, batiam contra a corrente.

  A garganta se fechou com um grito que n?o tinha ar.

  Mas n?o era o córrego.

  Era pior.

  Ele n?o via mais a água… apenas a polui??o e os dejetos sobraram, formando um lodo negro, espesso e fétido, que o puxava para baixo com a for?a de cem homens. Dentro dele, algo se movia — como se milhares de lesmas vasculhassem cada centímetro de seu trato digestivo. Suas veias queimavam de forma indescritível, sentia urina fervente substituindo cada mililitro de seu sangue.

  Vês como és frágil?

  Vês como és inútil?

  Sequer sabe nadar no próprio desespero.

  Seu cora??o disparou até quase rasgar as costelas, mas de nada adiantava, apenas agonizava mais seu corpo.

  Tentou gritar, tentou vomitar, mas de nada adiantava, apenas os moluscos escapavam de seu es?fago.

  Tentou se erguer, mas de nada adiantava, os próprios músculos o traíam.

  Até que, num solu?o seco, emergiu do transe.

  Respirou como se o ar fosse uma dádiva roubada, seu corpo tremia como vara verde.

  Olhou para cima… e só havia o anel colossal, girando lento e distante.

  Nenhum olho. Nenhuma voz.

  Micah n?o conseguia recordar o que acabara de acontecer. N?o era um esquecimento normal. N?o. Mas como se algo tivesse extirpado o acontecimento de sua mente, da mesma forma que alguém arranca a página de um livro.

  As palavras est?o em falta, mas o rasgo... permanece.

  Vendo que n?o poderia descobrir de onde esse choque e falta de ar surgiram, resolveu voltar a analisar seus arredores, carregando a esperan?a mínima de encontrar um caminho de volta ao lar, tentando ignorar a prova irrefutável de sua ruína, bem acima de sua cabe?a.

  O céu estava limpo, o mesmo azul infinito de antes. O terreno se estendia plano, com colinas baixas, exceto ao norte, onde a silhueta tortuosa da floresta que deixara para trás se desenhava no horizonte. Mesmo à distancia, aquelas árvores pareciam erradas, troncos curvados como se a própria floresta tivesse sido moldada à for?a.

  O resto era planície dourada e um rio serpenteando ao noroeste, brilhando como um espelho trêmulo. Uma ponte robusta ligava margens, fazendas se espalhavam até onde a vista alcan?ava. Ao longe, as muralhas de uma cidade se erguiam.

  Mas Micah sentia — o lugar n?o era o seu mundo. A luz, o cheiro, o som… tudo era quase familiar, como uma lembran?a sonhada e distorcida.

  Ele n?o queria acreditar, gostaria muito de estar louco, mas no fundo...

  Ele sabia.

  Ah, e como ele sabia.

  Sabia como o peixe sabe que n?o pertence ao ar, mesmo sem nunca tê-lo respirado.

  Sabia como o cervo sabe que está sendo ca?ado, mesmo antes de ouvir o estalar de um galho.

  Olhe para ele — t?o longe do formigueiro, t?o perdido a céu aberto.

  E t?o, t?o fácil de esmagar.

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