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Capítulo 6 – Minha Professora Veio Ver Se Eu Sei Cozinhar Big Bang

  Capítulo 6 – Minha Professora Veio Ver Se Eu Sei Cozinhar Big Bang

  Existem muitos tipos de clientes.

  Viajantes cansados.

  Entidades antigas.

  Curiosos perdidos entre dimens?es.

  Mas existe um tipo de visita que faz até uma chef cósmica ficar nervosa.

  Professoras.

  Principalmente quando elas foram responsáveis por quase metade da sua forma??o… e por todas as suas notas mais difíceis.

  Era um dia calmo no restaurante. O fog?o estava em temperatura baixa, o Big Bang na panela estava estável, e o cardápio flutuava tranquilo no ar.

  Até que o sino da porta tocou.

  N?o foi um som comum.

  Foi um “pling” perfeitamente afinado, como se o próprio universo tivesse passado por um curso de etiqueta.

  Eu congelei.

  Eu conhecia aquele som.

  — N?o… — murmurei.

  A porta abriu.

  E ela entrou.

  Alta, elegante, usando um manto feito de poeira estelar antiga, com pequenos símbolos de constela??es bordados nas mangas. Seus olhos tinham a calma perigosa de quem já viu o universo nascer mais de uma vez.

  Professora Astra Magna.

  Uma das mestras da Escola das Deusas da Culinária Cósmica.

  A responsável pela disciplina:

  The tale has been illicitly lifted; should you spot it on Amazon, report the violation.

  “Manipula??o Gastron?mica do Big Bang em Ambientes Controlados.”

  A mesma disciplina em que eu quase reprovei no segundo semestre.

  Ela olhou o restaurante inteiro antes de falar qualquer coisa.

  O sal?o pareceu se organizar sozinho. As cadeiras ficaram mais retas. As luzes mais suaves. Até o fog?o reduziu o barulho.

  — Ent?o… — disse ela calmamente — é aqui que você está trabalhando.

  Engoli seco.

  — Professora Astra… que surpresa.

  Ela se sentou numa das mesas.

  — Eu estava passando pela regi?o do vazio interdimensional — disse, cruzando as m?os — e ouvi comentários curiosos.

  Pegou o cardápio.

  — “Um restaurante que usa o Big Bang como ingrediente.”

  Ela levantou uma sobrancelha.

  — Isso me parece… familiar.

  Sorri, meio sem gra?a.

  — Eu tive boas professoras.

  Ela continuou lendo o cardápio.

  — Risotto de Big Bang Primordial…

  Virou a página.

  — Ramen Espiral de Big Bang Galáctico…

  Virou outra.

  — Mousse de Big Bang Silencioso…

  Ela fechou o cardápio devagar.

  — Criativo.

  Silêncio.

  Muito silêncio.

  Finalmente ela disse:

  — Ent?o… você realmente decidiu cozinhar o come?o do universo.

  — Sim, professora.

  — E decidiu servir também.

  — Sim, professora.

  Ela olhou diretamente para a cozinha.

  A panela onde o Big Bang borbulhava deu um pequeno brilho.

  — Posso ver? — perguntou.

  — Claro.

  Caminhamos até a cozinha.

  Ela analisou tudo: as prateleiras, os potes de Big Bang Cru, os frascos de Big Bang Fermentado, os recipientes de Big Bang Doce da Singularidade.

  Pegou um pote.

  — Big Bang Desidratado Premium.

  Pegou outro.

  — Big Bang Reduzido em Baixa Entropia.

  Ent?o abriu a panela principal.

  O brilho iluminou o rosto dela.

  Ela ficou em silêncio por um longo momento.

  Depois sorriu.

  — Eu sabia que você tinha talento.

  Respirei aliviada.

  — Mesmo quando quase destruí o laboratório na aula prática?

  Ela riu levemente.

  — Especialmente naquele dia.

  Voltamos para a mesa.

  Ela colocou o cardápio na frente novamente.

  — Ent?o, chef IZI.

  — Sim, professora?

  — Eu gostaria de pedir um prato.

  — Claro.

  Ela apontou para o cardápio.

  — Risotto de Big Bang Primordial.

  Assenti.

  — Excelente escolha.

  Fui para a cozinha.

  O preparo foi cuidadoso. Mais cuidadoso do que o normal. Professores percebem detalhes que clientes comuns ignoram.

  Mexi o arroz lentamente no caldo de Big Bang Reduzido, adicionei um toque de Manteiga Big Bang Clarificada, finalizei com Sal Cristal de Big Bang.

  Quando servi, coloquei o prato na frente dela com calma.

  Ela pegou a colher.

  O restaurante inteiro pareceu prender a respira??o.

  Ela provou.

  Silêncio.

  Depois outra colher.

  Mais silêncio.

  Ent?o ela assentiu.

  — Equilíbrio excelente.

  Respirei.

  — O Big Bang está bem domesticado — continuou ela. — Ainda selvagem o suficiente para ser honesto, mas controlado o suficiente para n?o destruir o cliente.

  Sorri.

  — Foi o que a senhora ensinou.

  Ela terminou o prato.

  Quando levantou, colocou uma pequena moeda brilhante na mesa.

  Reconheci imediatamente.

  Um selo da Escola das Deusas da Culinária Cósmica.

  A certifica??o máxima de aprova??o.

  Ela caminhou até a porta.

  Antes de sair, virou-se.

  — Continue cozinhando, IZI.

  — Sim, professora.

  Ela sorriu.

  — O universo ainda está com fome.

  A porta fechou.

  O restaurante voltou ao silêncio.

  Peguei a moeda da mesa e guardei no bolso do avental.

  Olhei para a panela.

  O Big Bang borbulhava tranquilo.

  Sorri.

  Porque se até minha professora aprovou…

  Ent?o eu realmente estava fazendo algo certo.

  E amanh?, quando a porta tocar novamente…

  Eu continuarei fazendo o que aprendi na escola.

  Cozinhar o come?o de tudo. ?????

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