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Capítulo 6: O Juramento nas Cinzas

  O grito de Moisés rasgou o silêncio da manh? de sábado, um som t?o cru e desolado que parecia ter a for?a para quebrar os próprios céus. Quando a sua voz finalmente falhou, transformando-se num solu?o rouco, ele permaneceu ali, de joelhos sobre o asfalto partido, o seu corpo a tremer incontrolavelmente no meio dos destro?os fumegantes da sua vida.

  A forma etérea do Guardi?o materializou-se ao seu lado, a sua luz dourada parecendo ba?a e fraca perante a escurid?o daquela tragédia. Eu lamento imenso, Moisés, disse o espírito, a sua voz mental n?o um comando, mas um sussurro carregado com a dor de milénios a testemunhar perdas semelhantes.

  Moisés levantou lentamente a cabe?a. O seu rosto, outrora o de um rapaz, era agora uma máscara de sofrimento irreconhecível. Os seus olhos, vermelhos e inchados, ardiam com uma mistura tóxica de lágrimas e um ódio t?o puro que era quase palpável. "Lamenta?", cuspiu ele, a sua voz a tremer de fúria. "Eles tiraram-me tudo! Tudo! Eu vou encontrá-los. Onde quer que eles se escondam, eu vou encontrá-los. E vou fazê-los pagar!"

  à medida que as palavras saíam, uma aura dourada e instável crepitou à sua volta. N?o era a luz calma e controlada da sua transforma??o anterior; era uma energia selvagem, caótica, alimentada n?o pela paz, mas por uma fúria incandescente. Pequenos arcos de eletricidade dourada estalavam no ar, queimando o ch?o à sua volta.

  N?o deves deixar-te levar pela raiva, advertiu o Guardi?o, a sua presen?a a tornar-se mais firme, mais urgente. O poder está a responder ao teu ódio. Se continuares, ele vai descontrolar-se. Irá consumir-te por completo.

  "Que me consuma!", gritou Moisés, pondo-se de pé de um salto, o seu corpo a vibrar com poder e dor. "Eles merecem ser consumidos! Eles merecem sentir isto!"

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  Seguir o caminho da vingan?a n?o te levará a lado nenhum, a n?o ser a mais escurid?o, insistiu o Guardi?o, a sua voz um farol de raz?o numa tempestade de emo??es. Pensa, Moisés. Ao buscares vingan?a, ao quereres infligir a mesma dor que sentes... n?o te estás a tornar exatamente igual à pessoa que te fez isto?

  A última pergunta n?o foi um sussurro. Atingiu Moisés com a for?a de um soco físico, cortando a sua fúria no auge. Ele parou, o seu corpo tenso, a sua respira??o suspensa. A sua aura dourada e raivosa vacilou. Ele olhou para a cratera, para os restos carbonizados do baloi?o da sua irm?, e a imagem do seu inimigo sem rosto foi subitamente sobreposta pela sua própria imagem, consumida pelo mesmo ódio destrutivo.

  A raiva, que fora um fogo a purificá-lo, come?ou a recuar, n?o apagada, mas engolida por uma onda avassaladora e gelada de tristeza. A for?a abandonou as suas pernas, e ele voltou a cair de joelhos. As lágrimas, antes de fúria, voltaram a correr livremente pelo seu rosto, agora quentes de uma dor insuportável.

  Lentamente, a tempestade dentro dele acalmou. A dor ainda lá estava, uma ferida aberta e incurável no centro do seu ser. Mas por baixo dela, no silêncio que se seguiu à tempestade, algo novo e duro como diamante come?ou a formar-se. N?o era esperan?a, n?o ainda. Era determina??o.

  Ele abriu os olhos novamente. A fúria tinha sido substituída por uma resolu??o fria e cristalina. Levantou o rosto, n?o para o Guardi?o, mas para o céu, para o universo que lhe tinha dado este poder e que lho tinha feito pagar da forma mais cruel.

  "Pais... Mana...", a sua voz era um sussurro quebrado, frágil como vidro. "Eu lamento. Lamento tanto. Eu falhei em proteger-vos. Eu devia ter-vos protegido." Ele fez uma pausa, engolindo um solu?o que amea?ava quebrá-lo. "Mas eu prometo. Aqui, agora. Prometo que vou tornar-me o herói que vocês mereciam. Vou usar este poder, este fardo, para garantir que isto... que isto nunca mais se repita. Com mais ninguém."

  Como seria de esperar, apenas o silêncio e o crepitar das últimas chamas responderam.

  Naquela rua destruída, sob um céu indiferente, o rapaz sonhador chamado Moisés morreu. No seu lugar, o herói que um dia seria conhecido por toda a galáxia como o Magic Dourado Digno, deu o seu primeiro e mais doloroso passo.

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