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Capítulo 3: O Guardião

  De volta à rotina barulhenta e familiar da escola no dia seguinte, o zumbido elétrico e a cascata de faíscas douradas do museu pareciam um sonho distante, um delírio febril. Ninguém comentou o incidente. Para todos os outros, a exposi??o fora apenas uma paragem aborrecida no itinerário, e a esfera, apenas uma rocha. Apenas Moisés sentia algo diferente. Era uma estranha energia a latejar sob a sua pele, uma corrente quente e subtil que parecia ter-se instalado nele desde o seu toque no vidro. Era um segredo que só ele conhecia, e o peso dessa solid?o era ao mesmo tempo excitante e assustador.

  Ao chegar a casa, o cheiro familiar a refogado e o som da televis?o na sala receberam-no, um bálsamo de normalidade que quase o fez duvidar da sua própria memória.

  "Ent?o, como foi o museu?", perguntou a sua m?e da cozinha, a sua voz um som de conforto e rotina.

  "Normal", respondeu ele, for?ando um sorriso que n?o chegou aos seus olhos. "A mesma coisa de sempre."

  Ele trocou uma provoca??o rápida e afetuosa com a sua irm? mais nova, que estava a fazer os trabalhos de casa na mesa da sala, e subiu as escadas para o seu refúgio: o quarto.

  Ao fechar a porta, o mundo exterior desapareceu. Ali, ele estava em casa. As paredes estavam cobertas de posters de super-heróis em poses dinamicas, e as suas estantes estavam repletas de figuras de a??o, cada uma um totem das histórias que ele tanto amava. Foi ent?o, no silêncio do seu santuário, que sentiu um frio súbito e anormal no ar, como se uma janela tivesse sido aberta em pleno inverno.

  Diante da sua estante de livros, o ar come?ou a ondular, a distorcer-se. E do nada, a pequena esfera do museu materializou-se. Flutuava silenciosamente a um metro do ch?o, a sua superfície rochosa e ba?a a absorver a luz do quarto, como se tivesse atravessado as paredes, o espa?o e a própria realidade para o encontrar ali.

  Moisés n?o gritou. N?o recuou. O seu cora??o come?ou a bater descontroladamente no seu peito, um tambor frenético, mas a sensa??o que o dominava n?o era medo. Era uma fascina??o pura e avassaladora. Era como se uma das suas histórias, um dos seus desenhos, tivesse saltado do caderno e ganhado vida diante dos seus olhos.

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  Ele deu um passo em frente, a m?o a estender-se, querendo tocar naquilo que n?o deveria ser real. Mas antes que os seus dedos pudessem chegar à rocha, a esfera come?ou a brilhar intensamente. A luz dourada, desta vez forte e inconfundível, irrompeu das fissuras, e da sua radia??o, uma figura alta e etérea tomou forma. Era um holograma perfeito, a silhueta de um homem com uma armadura imponente e ornamentada, cujos olhos brilhavam com a sabedoria de milénios.

  Sauda??es, jovem Moisés.

  A voz n?o soou nos seus ouvidos. Ressonou diretamente na sua mente, calma, poderosa e inegavelmente real.

  "Isto... isto n?o é real", gaguejou Moisés, as palavras a saírem num sopro trémulo.

  é t?o real quanto a guerra que amea?a consumir tudo o que conheces, respondeu a figura, a sua forma a cintilar com uma luz suave. O meu nome perdeu-se nas brumas do tempo, mas podes chamar-me de Guardi?o. Sou o protetor do Legado Dourado. E a Esfera escolheu-te.

  O Guardi?o levantou a sua m?o translúcida. Num piscar de olhos, o quarto de Moisés desapareceu. As paredes, os posters, a sua cama... tudo foi substituído pelo vazio frio e estrelado do espa?o. De repente, eles estavam a flutuar no meio de uma batalha cósmica de uma escala aterradora. Seres envoltos em armaduras douradas empunhavam espadas de energia pura, as suas laminas a chocar contra os exércitos da Liga das Trevas numa cacofonia silenciosa de luz e sombra.

  Nós, os Magic Dourados, éramos os protetores do equilíbrio do universo, narrou o Guardi?o, a sua voz a guiar Moisés através do caos visual. Mas os Magic Negros, os nossos irm?os caídos, procuraram o poder acima de tudo. E por ele, condenaram mundos inteiros.

  A vis?o mudou, focando-se numa única figura: o Primeiro Magic Dourado, no seu último ato de sacrifício, a forjar a Esfera de Luz.

  A Esfera é uma chave, Moisés. Ela contém a semente do nosso poder, a memória do nosso legado. E depois de eras de silêncio, ela respondeu ao teu cora??o. A tua coragem, a tua compaix?o, a tua recusa em te renderes à escurid?o... foi isso que ela sentiu.

  As estrelas e as batalhas desapareceram, e o quarto de Moisés regressou ao normal, t?o subitamente como tinha desaparecido. A figura do Guardi?o permaneceu, o seu olhar dourado fixo em Moisés.

  A Liga das Trevas, onde quer que esteja, sentiu o teu despertar. Eles vir?o. Cedo ou tarde, eles vir?o. A pergunta, jovem herói, n?o é 'se' a guerra virá até ti. A pergunta é 'se' tu vais estar pronto para lutar quando ela chegar.

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